O CORPO NEGRO E AS CICATRIZES DA SEXUALIZAÇÃO

A animalização do corpo preto tem bases nas ideologias escravistas que se perpetuam até hoje

Objetificação, fetiche, exploração e a hiper sexualização são termos que se encaixariam facilmente quando se discute o papel do corpo negro no período escravista, quando mulheres negras eram arrancadas no meio da noite das senzalas para serem estupradas por senhores ou quando homens eram taxados de fortes pelo tamanho do seu órgão sexual. Tais expressões, porém, acompanham a vida de pessoas negras desde a escravidão até os dias de hoje, as formas de subjulgar corpos negros foram ficando mais sutis e modernas de acordo com o tempo. Mas, as expressões continuam deixando feridas diversas e extensas na identidade dos indivíduos.

Essas marcas deixadas pelo sistema preconceituoso e segregacionista, atingem afrodescendentes de todas as camadas sociais e gêneros diferentes. A animalização do corpo preto fruto do racismo se tornou característica explorada midiaticamente, até se tornar um atributo cultural a ser exportado internacionalmente. Fato este, que podê ser notado durante décadas com a exploração da imagem de mulheres negras, com as partes intimas pintadas, sambando e com um sorriso largo sendo transmitida a qualquer horário em flashes pela maior emissora do pais. Como ocorreu com a “Globeleza”, até o carnaval de 2017, quando, após críticas e um estudo de mercado a emissora resolveu mudar seu posicionamento e alterar a estética da campanha.

Globeleza 2017 e 2014

Além da marcante vinheta de carnaval, a retratação do corpo feminino preto como a amante que destrói casamentos nas novelas ou as seduzentes “mulatas” passistas de escolas de samba também auxiliam na construção negativa sobre a visão a cerca desses corpos. Esse peso está presente em todos os momentos da vida daqueles que carregam a pele escura, porém, essas situações só são percebidas e criticadas na fase adulta, quando a conscientização acerca de todas as questões que envolvem ser um indivíduo afrodescendente em uma sociedade racista se tornam mais claras. Tais dilemas são enfrentados por pretos de todas as classes sociais, sexo, idade ou orientação sexual. Conquistando seus primeiros traumas já na infância.

Foi nessa fase da vida em que Laryssa Ingrid Ferreira, estudante de direito, de 20 anos teve o primeiro contato com a sexualização que meninas negras sofrem, principalmente nas redes sociais. “A minha mãe sempre foi muito atenta ao que eu fazia na internet. Então, desde da minha primeira rede social ela sempre foi bastante atenta sobre o que eu via ou postava. Logo, eu não publicava fotos de roupas curtas ou biquínis. Mesmo assim, a primeira vez que fui sexualizada na internet foi por volta dos meus 12/13 anos de idade, quando um antigo vizinho comentou na minha foto de pijama “Que pijama mais sexy”. Após esse episódio e com a intenção de me privar, minha mãe me proibiu de descer (para o play) para brincar com as outras crianças e de postar fotos em redes sociais por quase um ano “ conta Laryssa.

“…a primeira vez que fui sexualizada na internet foi por volta dos meus 12/13 anos de idade, quando um antigo vizinho comentou na minha foto de pijama “Que pijama mais sexy…” Laryssa Ferreira

Esses modelos de ataques direcionados a crianças pretas são facilmente disfarçados de “elogios”. Demonstrando que, a cultura da objetificação desses corpos está enraizado no DNA da sociedade, que por vezes , esquecem do fato do alvo ser apenas uma criança. Afirmativa essa, que pode ser exemplificado ao analisar comentários nas fotos postadas pelo casal Bruno Gagliasso e Giovana Ewbank do seu filho do meio, Bless. A simples e inocente foto recebeu diversos comentários ressaltando características que não deveriam ser o principal atrativo de qualquer criança, além, do uso de seus traços negroides para ressaltar tais ofensas.

Comentários direcionados ao pequeno Bless, na foto postada pela mãe / Fonte: Redes Sociais

O RACISMO NO NASCIMENTO

Fonte: Alma preta

Rafaella Mendes, gerente administrativa, de 35 anos foi uma das milhares de vítimas do racismo obstétrico no Brasil. Quando a profissional administrativa e seu marido decidiram engravidar, não mediram esforços para ter o melhor atendimento, chegando a gastar cerca de R$15 mil reais com todo o processo.” Queríamos o melhor para o nosso primeiro filho, mas não foi isso que aconteceu. Eu cheguei já com bastante dor no hospital e me mandaram esperar, os médicos e enfermeiros ficaram conversando e tomando café no corredor enquanto eu gritava de dor, sem me dar remédios e me negando a companhia do meu marido ou minha mãe, dizendo que eu estava fazendo drama, que era normal a dor. Depois de um tempo, minha mãe me contou que ouviu a equipe médica falando que eu era preta e preta aguentava tudo, lendo mais sobre a violência obstétrica que eu entendi o que eu havia passado e resolvi falar sobre nas minhas redes sociais”

“Minha mãe ouviu a equipe médica falando que eu era preta, e preta aguentava tudo “ Rafaella Mendes

A mãe de primeira viajem está longe de ser a única a sofrer a violência da obstetrícia racista. Os relatos nas redes sociais de mulheres que sofreram tais maus tratos são cada vez mais frequentes “Eu entrei em um grupo no Facebook e os relatos eram assustadores, algumas famílias perderam seus filhos pelo descaso em que somos tratadas. Mas, acabou virando um canto de desabafo, com aquelas mulheres que entendiam verdadeiramente que o que aconteceu com a gente foi racismo” diz a vítima de 35 anos

Dados sobre o racismo obstétrico

Os dados demonstram que a violência contra mulheres e crianças pretas os atingem no local em que deveria ser de acolhimento e felicidade, a maternidade. Os estereótipos de forte, guerreira e raivosa recaem fortemente no momento gestacional de mulheres negras. O relato da gerente administrativa de 35 anos manifesta uma realidade cruel, nem mesmo os privilégios de possuir condições financeiras favoráveis possibilitam escapar das amarras do racismo.

Dados que demostram a disparidade entre mortes de mulheres negras e brancas

As redes sociais claramente trouxeram uma maior viralização da exposição de corpos negros. De forma que, o intelecto de pessoas negras são deixados de lado para dar espaço a extrema exaltação dos seus corpos e beleza- quando este indivíduo se encaixa no padrão exportado historicamente pela mídia. Isto é notável, ao realizar uma análise nas rápidas repercussões e comentários em fotos da cantora Iza de biquíni, por exemplo. O mesmo ocorre com pessoas anônimas, que veem suas fotos mais “sensuais” serem mais engajadas do que outras. “Eu recebo o triplo de curtidas a mais que o normal quando posto foto de biquíni, os comentários, os compartilhamentos e salvamentos aumentam muito também. Consequentemente, o assédio, vem como uma avalanche.” conta a estudante de nutrição Camila Souza, de 19 anos.

“Eu recebo o triplo de curtidas a mais que o normal quando posto foto de biquíni” Camila Souza

Camila não é a única jovem a ter essa percepção. A estudante de direito Laryssa Ferreira, conta que o engajamento das suas fotos é proporcional a “sensualidade” que ela representa. Com isto, a invasão de privacidade ocasionada pelo assédio também é elevada. A universitária relata que já excluiu fotos e contas em redes sociais por se sentir ofendida e desgastada com os abusos sofridos. “As perguntas mais ofensivas que eu recebo são bem sexualizadas. Alguns falam que adorariam experimentar uma pretinha, outros que dizem que pagariam por uma preta/ mulata dessa ou simplesmente chegam do nada perguntando se eu não gostaria de transar. Os comentários são sempre ligados a minha cor” diz Larissa Ingrid.

“. Alguns falam que adorariam experimentar uma pretinha, outros que dizem que pagariam por uma preta/ mulata dessa ou simplesmente chegam do nada perguntando se eu não gostaria de transar.” Laryssa Ferreira

Assédios recebidos pelo estudante de direito nas redes sociais / Fonte: Arquivo pessoal
Engajamento das fotos de Larissa / Fonte : Arquivo pessoal

Essa percepção do aumento do assédio nas redes sociais relatada por Camila Souza e Laryssa Ferreira tem fundamentos em estudos a respeito de assedio nas redes. A ONG global Plan International revelou que 77% das jovens brasileiras já sofrerão ataques sexuais através das redes sociais, que se iniciam por volta dos 13 anos de idade, segundo a pesquisa.

A discussão sobre esse assunto é algo que precisa ser debatido desde infância. Entretanto, a vergonha, culpabilização e falta de conhecimento sobre o tema faz com que o desejo de transparecer os sentimentos a respeito desse mal sejam cada vez mais abafados. Tal fardo pode ser melhor suportado quando divido com outros, que entendem verdadeiramente o que é passar por essas vivencias. Estar acompanhado socialmente de outras pessoas negras faz com que as dores, angustias e revoltas sejam melhor compreendidas. Esta fusão pode se dar por meio de laços de amizades, familiares ou amorosos. Assim, podendo gerar msior estabilidade e força para lidar com as vertentes do racismo.

Amor preto. Este é um caminho escolhido para aqueles que desejam fugir de estereótipos que estar em um relacionamento com pessoas brancas pode trazer, como a sensação de que o fetiche pode ser maior que o amor. Além disso, a falta de compreensão e reciprocidade que pode ocorrer em relacionamentos inter raciais também é uma questão. Todavia, o amor afrocentrado, acolhedor e compreensivo pode vir de amigos, pares românticos ou familiares. Com seus parentes, Camila Souza diz ter encontrado um local de apoio desde sempre. “Minha família é toda preta retinta, por frequentarmos alguns lugares mais abastados, a questão da cor sempre foi muito conversada em casa para que eu soubesse lidar com isso na rua e nesses ambientes. As referências em casa também sempre foram bem fortes, desde das cerimonias no terreiro de candomblé da minha avó até as canções que embalavam o almoço de domingo, como Alcione e Almir Guineto. Agradeço muito a minha família por isso, mas nem todos tem essa oportunidade que tive de me reconhecer bonita e valorizar minha ancestralidade desde sempre” conta Camila

“As referências em casa também sempre foram bem fortes, desde das cerimonias no terreiro da minha avó até as canções que embalavam o almoço de domingo” conta Camila Souza

Casal Afrocentrado / Fonte: Nicelly Santos

Fora do seio familiar, os grupos de amigos são as pequenas bolhas sociais em que todos se inserem e dividem experiências. A estudante Laryssa Ingrid garante que somente hoje tem uma cartela maior de amigos negros, com quem divide todas as questões acerca da cor. “Há uns três anos atrás eu poderia contar nos dedos os amigos negros que eu tinha. Por estar inserida em uma condição privilegiada, a maioria dos lugares que frequentei eram majoritariamente brancos e para criar esses vínculos, seria somente com outros negros privilegiados que estariam naquele mesmo ambiente” diz a jovem.

No campo amoroso, a estudante de direito relata que já descobriu por duas vezes que seus pares românticos tinham fetiche acerca da cor da sua pele.

“Por duas vezes descobri que era fetiche. A partir disso comecei a me relacionar majoritariamente e preferencialmente com pessoas negras, e estudar para compreender melhor sobre a solidão da mulher negra. Que superficialmente, é ser usada por brancos como fetiche, porém, nunca ser assumida e reconhecida. Já que eles escolhem para terem um planejamento de vida conjunta as mulheres brancas ” relata Larissa.

Em contrapartida, a administrado de empresas Aline Souza, de 25 anos, garante que seus relacionamentos sempre foram tranquilos em relação a sexualização sobre seu tom de pele, ela conta que teve apenas um relacionamento inter racial nessas mais de duas décadas.

A administradora contando sobre seus relacionamentos / Fonte: Arquivo pessoal

Assim como Aline, a fetichização nos relacionamentos inter raciais nunca foi um problema para Eduardo Albuquerque, professor de 31 anos. “Eu nunca escolhi meus relacionamentos olhando primeiro para a cor da pele. Mas admito que a relação é diferente, quando são duas pessoas negras é uma coisa que não dá para explicar. O seu companheiro vai entender tudo que não precisa ser dito” explica o professor. Estando em contato todos os dias com diversos jovens, que ainda estão em processo de formação, Eduardo relata não ligar para os assédios e comentários que enfrenta na sala de aula por parte de meninos e meninas. “Eu escuto o que eles falam, os risos e as piadinhas, mas tenho que manter a ordem. Por exemplo, na última quarta-feira uma aluna me chamou para tomar um chop, falando que a gente super combinava por sermos tão diferentes” o professor conta que aluna é loira de olhos azuis. Tal como as mulheres negras, os homens afrodescendentes também enfrentam suas barreiras nessa cultura de animalização dos seus corpos.

“Por exemplo, na última quarta-feira uma aluna me chamou para tomar um chop, falando que a gente super combinava por sermos tão diferentes fisicamente” o professor conta que aluna é loira de olhos azuis” Eduardo Alburqueque

O privilégio de ser homem em uma sociedade patriarcal caminhando com o peso de ser negro em uma sociedade racista, esse é o dilema dos homens pretos. Com seus corpos sendo animalizados e descriminados desde do período escravista, sendo vistos e usados como um artefato sexual. Como mostra a pesquisa da National Humanities Center, que traz o cruel cenário vivenciado por escravos estadunidenses, que eram obrigados a engravidarem ao menos 12 escravas por ano. Essa idealização montada sobre esses seres auxiliou na construção exportada pela cultura racista, de homens extremamente viris e selvagens sexualmente, brutos, perigosos e que não tem e não são capazes de criar sentimentos bons em si. É lutando contra esses estereótipos que Roberto Cássio, universitário de 24 anos e Felipe Santos, contador de 28 anos enfrentam os dilemas do dia a dia.

Os dois jovens relatam se sentirem descartáveis e incomodados ao analisaram que seus corpos ainda são vistos de maneira tão fútil pela população. As conversas nas rodas de amigos sobre tal tema é algo recorrente na vida desses rapazes. “Justamente por quase sempre ser o único preto do rolê sempre rola esse assunto” diz Cassio. Já o contador Felipe, diz que além do assédio e olhares maldosos recebidos na rua, os avanços preconceituosos também acontecem nas redes sociais. “Sempre chega proposta de mulher casada, que namora ou de gays me chamando pra alguma coisa de cunho sexual. Eu nem respondo” diz o contador. O imaginário de bons amantes que recai sobre esses homens é a animalização do indivíduo de maneira mais clara e cruel. Já o universitário Roberto Cássio, conta que um dos motivos de trancar suas redes sociais somente para amigos próximos foi em razão da grande quantidade de assédio recebido. “Isso (assédio e sexualização) acontece desde dos meus 16 anos na rua e depois foi para as redes. “ desabafa o estudante de 24 anos.

Essa sexualização vivida pelos homens pode ocorrer mesmo que involuntariamente. Sendo possível ser exemplificada no mundo do audiovisual, quando analisada a construção do personagens como o de Latrell Spencer, interpretado pelo ator Terry Crews no longa de comédia “As branquelas”, por exemplo. A exploração do corpo é um dos principais atrativos do personagem no filme, além, da clara posição do não reconhecimento da sua negritude e da recusa de se relacionar com mulheres negras. Casos como este podem ser facilmente percebidos na sociedade, como ao verificar as preferências românticas de homens pretos bem sucedidos, mulheres loiras e de olhos claros. Assim, demostrando que as cicatrizes das raízes racistas são tão profundas no povo preto, que a auto valorização e reconhecimento de si se tornam tarefas quase impossíveis.

Cena do filme em que a não auto aceitação é exemplificada / Fonte: Froes

Foi contra essa não valorização de si mesmo que Hugo Brittes, de 20 anos postou uma foto em que se sentia bonito nas redes sociais. Todavia, as consequências fizeram com que a sensação de bem estar ao ver a foto fossem embora. “Quando postei uma foto de sunga começaram a surgir mensagens com conteúdos desnecessários, de pessoas que não interagiam com outras fotos minhas. Não posto mais foto de sunga e cueca, ou de qualquer outra coisa que aumente a suxualização do meu corpo” diz Hugo. O jovem de 20, anos que é homossexual, conta que esses comportamentos de objetificação e fetichização também estão presentes no universo LGBTQIA+. “Onde deveria ter união e respeito acaba ocorrendo tais casos por parte de pessoas que sujam o movimento e não buscam se desconstruir e respeitar outros corpos” conta Hugo. As dificuldades de demonstração e recebimento de afeto também é algo pertinente, já que o corpo negro ainda não é visto como um corpo comum, digno de carinho, afeto e valorização.

O jovem de 20 anos ao receber suas primeiras flores / Fonte: Arquivo pessoal

A falta de respeito, compreensão e acolhimento enfrentada por homens gays e hetéros deixam marcas para toda a vida. E podem trazer serias consequências comportamentais.

Dados sobre o racismo em homens / Fonte: Atlas da violência

Ao analisar tamanha animalização de pessoas, é difícil a aceitação do fato ainda se tratar de algo natural e comum. A Psicóloga Ana Tavares, de 32 anos relata que não existe razões psíquicas para tal comportamento da sociedade, e que essas atitudes são filhos do preconceito. “São questões históricas, o negro nunca foi visto como uma pessoa com todas as suas necessidades e direitos no Brasil. Isso só começou a acontecer atualmente, graças a força dos movimentos negros e das novas gerações. Os dados mostram as disparidades sociais que temos quando comparados negros e brancos, é a sexualização dos corpos é mais uma vertente triste do racismo. De forma que, as consequências deixadas na cabeça desses indivíduos tem frutos eternos, principalmente das crianças. A necessidade de mais psicólogos e psiquiatras negros no mercado é urgente, esse público tem direito a ser atendido por aqueles que entendem suas dores. Eu, como mulher branca, tento ao máximo estudar e me desprender de estigmas estruturais para atender todos os públicos da melhor maneira possível. Mas nunca irei comtemplar de forma totalmente ampla meus pacientes negros” desabafa a psicóloga.

Psicologia preta Fonte: Revista Trip

“A necessidade de mais psicólogos e psiquiatras negros no mercado é urgente, esse público tem direito a ser atendido por aqueles que entendem suas dores” Ana Tavares

O respeito acerca do corpo preto deve ser tratado e debatido de maneira severa e educacional. O levantamento do tema por movimentos negros já é uma realidade, mas a necessidade da incorporação do assunto no dia a dia da população que não compreende ou recusa tal compreensão das mazelas trazidas por tais hábitos sociais racistas é urgente. Tornar esta pauta um assunto amplamente discutido em todos os ambientes é o caminho para a desconstrução de preconceitos. Porém, essa missão deve ser realizada também por ações individuais, a auto avaliação de pessoas brancas sobre como elas enxergam os corpos negros devem ser rotineiras. Já que, a população negra está cada vez mais ativa, questionadora e amando seus iguais.